terça-feira, 30 de março de 2010

(*)



Antes eu conseguia causar
algum encantamento.

Agora, de repente.

Eu só consigo ser eu...

Amanda Cellis

quinta-feira, 18 de março de 2010

Edição Ilimitada


O céu limita minha altura
Me limita a nuvem
Que não se limita a chuva
Chuva que limita a roupa
Existência que não se limita a Deus
Deus que se limita a sentir
Pessoas me limitam SER
Eu limito pessoas
Que limitam gestos
Que limitam a fala
Fala que não se limita ao som
Som que não se limita a crer
Crença que limita a dúvida
Dúvida que limita a crer
Distância limita o toque
Toque que não se limita a pele
Universo limita o conhecimento
Conhecimento não tem limite
Limite que limita o mundo
Mundo que limita agir, falar, escrever, voar...
Moralismo que limita amar, crer, dançar...
Movimento que não se limita ficar parado.
Só o pensamento é ilimitado.

Amanda Cellis

terça-feira, 9 de março de 2010

Judiaria


O cabelo dele voa junto ao vento
E o meu olhar segue...
E até sua canalhice me encanta
O sorriso dele sempre conquistando fãs
E cada palavra dele me rouba o dia...

Me traz amor
Me traz horror
...
Judiaria.

Amanda Cellis

Dos mundos


E tem essa saudade errante
Tosca, imbecil, dolorosa
Nostálgica, confortante...
Passada, revivida, repassada
Presente, terminada em meio ao dia

E tem essa vitalidade nova
Presente, convincente, certa
Viva, iluminada, amanhecida
Óbvia, tentadora, perfumada
sonhada... em meio ao dia

Eu não sei qual realidade seguir
A cada minuto uma sensação me arrebata

Amanda Cellis

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Quietinho


Eu guardo amor em risinhos.
Em frestas de azulejos.
Em gavetas de criado mudo
e escrivaninhas...

Eu guardo amor em frasquinhos.
Em caixinhas...
Guardo amor em vãos de porta.
Nos espacinhos do teclado.

Eu guardo amor em palavras escritas,
e algum amorzinho escapa em palavras ditas...
Eu guardo no vão dos dedos.
Em baixo das unhas...

Eu guardo amor em caixinhas de fosforo.
Em garrafas de cerveja...
Em piadinhas irónicas.
Eu guardo amor no piscar de olhos
Em relance, em rabo de olho...

Pouca gente vê.
Mais ele está lá.


Amanda Cellis

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

O crime


Os criminosos se olham culpados
por cometer um crime irresistível
Ele carrega um ar receoso
E ela um coração dilacerado...

Mas o sorriso se mantem lascivo e libidinoso
As palavras saem miúdas e regradas
Para o crime não ser descoberto
O ar, o som, o tom, o riso, o olho
Tudo os delata....

Os criminosos se olham culpados
Por gostar de friozinho na barriga
E coração acelerado...
Por tornar a vida uma aventura
Por ceder a suas paixões
E as suas vontades

Os criminosos se olham...
Descarados.

Amanda Cellis